QUEDA DE BRAÇO: Austrália X Refugiados Ambientais

Devido ao tamanho de seu território e à sua posição preponderante no Pacífico-sul, a Austrália tornou-se almejada por refugiados, principalmente dos da categoria ambiental. É óbvio que, sendo uma potência regional, caberia a ela a responsabilidade sócio-humanitária (ou até mesmo a “obrigação”, do ponto de vista de alguns) de receber essas pessoas, visto que nenhum outro país da região teria melhor condição de fazê-lo. Contudo, o país tem reagido com certa hostilidade, com políticas “anti-refugiados”, ou seja, se recusa a aceitar refugiados em grandes números, principalmente de seus vizinhos insulares.

aust

 

O país vem sendo pressionado, principalmente pelo Kiribati e Ilhas Maldivas, que estão entre os países mais vulneráveis ao aumento do nível do mar; eles tentam convencer o governo australiano a receber suas populações. A Austrália, por sua vez, além de não estar disposta a aceitar refugiados, já chegou a enviar alguns que se encontravam em seu território, para seus países de origem ou vizinhos, tendo também “congelado” o processo de pedidos de vistos de alguns países.

austss

Outro problema a ser considerado é a crescente xenofobia por parte dos cidadãos australianos que, por exemplo, denominam os refugiados de boat people (Povo da canoa). O interesse da população tem crescido em relação a esse tema nos últimos anos, e casos de violação de direitos humanos com refugiados só aumentam a preocupação com o bem-estar dos refugiados dentro do país, e daqueles que podem vir a chegar.

Luiz Felipe Dias.

Anúncios

PACIFIC ACCESS CATEGORY (PAC)

As consequências das alterações climáticas são diversas e desastrosas, e uma das mais difíceis de lidar, é a questão dos refugiados climáticos. Buscando chegar à uma solução ou amenização para esse problema, os governos de Tuvalu, Fiji, Kiribati, Tonga e Nova Zelândia criaram a Categoria de Acesso do Pacífico (PAC).

nz passportO PAC é um acordo de imigração firmado em 2001, por esses governos, com o objetivo de assegurar que os refugiados ambientais, que foram deslocados de suas casas pelos efeitos da mudança do clima, possam ser realocados em um ambiente menos vulnerável. Cada país possui uma quota de cidadãos que podem ter uma residência garantida na Nova Zelândia a cada ano. Tuvalu e Kiribati possuem uma cota de 75 moradores, enquanto Tonga e Fiji, 250. Uma vez que o governo australiano se recusou a aceitar quaisquer refugiados ambientais de Tuvalu, a Nova Zelândia concordou em aceitar a população inteira do país, aproximadamente 11.000 habitantes.

Ainda que a Nova Zelândia possua políticas de imigração bem mais flexíveis do que as da Austrália, o cidadão requerente deve cumprir uma série de requisitos pré-estabelecidos antes de se enquadrar no PAC, o que acaba por excluir parte da população de Tuvalu, e fazer com que refugiados ambientais originários dos mais diversos países da região encontrem enorme dificuldades para se reestabelecerem.

immigration-in-australia

Alguns dos requisitos são:

Os requerentes devem possuir o status de cidadão de Kiribati, Tonga, Tuvalu ou Fiji;

  • Possuir idade entre 18 e 45 anos;
  • Possuir um nível aceitável de oportunidade de emprego na Nova Zelândia;
  • Possuir um nível satisfatório de fluência em inglês;
  • Possuir uma renda mínima, caso o requerente tenha algum dependente;
  • Possuir uma saúde boa e um histórico de bons antecedentes criminais.

A análise desses pré-requisitos leva à conclusão de que a população mais vulnerável – composta de idosos e pobres – terão problemas para serem aceitos como candidatos principais para o programa. É possível perceber ainda, as enormes dificuldades para sanar o problema dos refugiados ambientais. E para alcançar à cooperação quanto a essa questão, uma vez que mesmo os países mais abertos a ajudar os refugiados apresentam determinadas restrições.

Letícia do Carmo.

Dossiê – PNUMA

70Posição no comitê: Membro observador

Tendo como principal objetivo manter o meio ambiente global sob contínuo monitoramento, em 1972 foi criado o PNUMA, Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente. A agência é a principal autoridade global no que diz respeito às questões ambientais, sendo responsável por promover a preservação do meio ambiente e uso sustentável de recursos. O programa concentra-se em fornecer liderança ambiental nas quatro áreas de destaque na resposta internacional à mudança do clima: adaptação, mitigação, ciência e divulgação.

Também é função do PNUMA alertar a população sobre problemas e ameaças ao meio ambiente, além de recomendar medidas e soluções que visem à melhora da qualidade de vida da população, sem comprometer os recursos das gerações futuras. A agência tem sede no Quênia, na cidade de Nairóbi, e ainda possui escritórios regionais na América Latina e Caribe, América do Norte, Europa, África, Ásia e Pacífico e na Ásia Ocidental.

foto10int-102-pnuma-a17

Sede do PNUMA em Nairóbi, Quênia.

Uma das principais áreas de atuação do PNUMA diz respeito às mudanças climáticas, onde o programa atua visando facilitar a transição da sociedade para uma economia de baixa emissão de carbono, melhorar o conhecimento científico a respeito das mudanças no clima, construir capacidades para adaptação do planeta a essas mudanças e aumentar o conhecimento público a respeito desse desafio global.

O programa tem mais de 25 anos de experiência em estudos relacionados às alterações no clima e ajudou a estabelecer o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Ofereceu suporte à discussão e negociação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). O PNUMA trabalha ainda concentrando esforços para que os Estados reduzam as emissões de gases causadores do efeito-estufa, promovendo o uso de energia renovável e melhoria da eficiência energética. A agência tem uma longa experiência de trabalho em conjunto com o setor privado, a sociedade civil, governos, Organizações Internacionais e outras entidades da ONU.

Equipe ACNUR (2020).

Dossiê – ONU-HABITAT (FUKUOKA)

ONU-HABITAT-Spanish

Posição no comitê: Membro observador

O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) foi criado em 1978 com o objetivo de coordenar e harmonizar atividades no campo de desenvolvimento de assentamentos humanos, sendo de fundamental importância na questão dos refugiados. Também é função da Organização facilitar o intercâmbio global de informações sobre moradia e desenvolvimento sustentável acerca dos assentamentos, além de colaborar em países com políticas e assessoria técnica no que diz respeito ao número crescente de desafios enfrentados pelas cidades, como governança urbana, habitação, gestão ambiental, mitigação de desastres, reabilitação pós-conflitos, segurança urbana, gestão da água e redução da pobreza.

A Organização tem foco em quatro áreas prioritárias, sendo elas, abrigo e serviços sociais, gestão urbana e ambiental, infraestrutura e avaliação, e acompanhamento e informação. O programa é ainda fonte de monitoramento para o progresso na implementação da Agenda Habitat – o plano global de ação adotado na Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Habitat II).

O ONU HABITAT tem sede oficial no Quênia, e possui escritórios regionais na América Latina e Caribe, Pacífico e Ásia, e África.  O escritório para a Ásia e Pacífico – Fukuoka, foi criado em 1997 e atende a região nas questões referentes à implementação da Agenda Habitat. Com uma presença reforçada na área, o programa tem uma maior proximidade com os governos e pode reduzir alguns custos operacionais.

Night-View-of-Fukuoka-City

Fukuoka é uma província japonesa localizada na ilha Kyushu, Japão. A capital é a cidade homônima de Fukuoka.

A responsabilidade principal pela implementação e acompanhamento da Agenda Habitat cabe aos governos individuais e o ONU HABITAT – Fukuoka oferece apoio e monitora o progresso que está sendo feito na região. As atividades do escritório são tanto operacionais (projetos e programas de desenvolvimento) quanto normativas (defesa e orientação política).

Equipe ACNUR (2020).

Dossiê – FIJI

Bandeiras dos Paises

Posição no comitê: Membro observador

Fiji é um arquipélago localizado na Oceania, no sul do Oceano Pacífico. Sua capital é a cidade de Suva, os idiomas oficiais são o inglês e o fijiano. É uma República parlamentarista, com governo indicado por militares. O país possui uma população de aproximadamente 896.758 habitantes e abriga apenas dois refugiados em seu território, porém 2.468 de seus cidadãos são refugiados em outros países, principalmente devido aos problemas ambientais atuais. Fiji_(orthographic_projection).svg

O país está localizado em uma das partes do globo mais afetadas pelas mudanças climáticas, diversas ilhas da região estão sob a ameaça eminente de desaparecer devido ao aumento do nível do mar. E não bastasse ter problemas como esse para resolver, os países vizinhos estão em uma situação ainda pior do que o próprio Fiji.  Ainda com pouca ou nenhuma voz nos fóruns e encontro internacionais, esses países são levados a tomar medidas extremas. Coat_of_arms_of_Fiji

O governo de Kiribati, país insular que também fica na Oceania, tomou a decisão de comprar um terreno de 24,5 km² na principal ilha do arquipélago de Fiji, com o objetivo de abrigar cerca de 103 mil kiribatianos. Grade parte dos atóis de Kiribati está quase ao nível do mar, e em alguns pontos a água salgada já contaminou os lençóis de água subterrânea. O plano é de transferir população kiribatiana aos poucos, mas de toda forma, foi uma ação que desconsiderou as diferenças culturais e problemas que venham a coexistir como a falta de emprego, por exemplo. Sem contar que a opinião pública de Fiji não viu com bons olhos a medida tomada.

Equipe ACNUR (2020)

Dossiê – KIRIBATI

Bandeiras dos Paises

Posição no comitê: Membro observador

O Kiribati é um país localizado no centro-leste da Oceania, no oceano Pacífico. Possuir território de 849 km² (apesar de apenas uma pequena parte deste ser terrestre) e sua população é de cerca de 100 mil habitantes, sendo 98% destes kiribatianos e 2% de outras nacionalidades e etnias. Possui idioma próprio, chamado de gilbertês ou Quiribati (Kiribati), que também é falado nas Ilhas Salomão, Ilhas Marshall, Tuvalu, entre outros países da região.

LocationKiribatiÉ um dos países da região mais ameaçados (provavelmente o que se encontra em pior situação) pelo aumento do nível do mar. Seu ponto mais alto está situado a apenas 81 metros acima do nível do oceano. O aumento do nível do mar não só provoca a erosão de suas terras costeiras, como também causa a contaminação de sua água potável. Com todos os seus problemas climáticos a expectativa é de que as ilhas sejam engolidas pelo mar em menos de sessenta anos.

299px-Coat_of_arms_of_Kiribati.svg

Desde a última década o país já tem como objetivo a migração dos kiribatianos para outras terras, mas com o passar do tempo essa preocupação vem aumentando e tornando-se prioridade na agenda de governo. Apesar de ser um número relativamente pequeno de pessoas, estas deverão recomeçar suas vidas e adaptar sua cultura à do país que os receberem.

Equipe ACNUR (2020).

DICAS: Como falar em público?

Discurso-Martin-Luther-King

Discurso “Eu tenho um sonho”, proferido pelo ativista Martin Luther King Jr., durante a Marcha de Washington.

Falar em público é uma das mais importantes habilidades para o delegado do MINIONU. Ele precisará defender a posição de sua representação, construir consensos e formular resoluções e recomendações. Normalmente o tempo de discurso de cada delegado será dado pela mesa diretora de seu respectivo comitê. No entanto, os delegados poderão propor moções para aumentar ou diminuir o tempo dos discursos.

Haverá muitas oportunidades para se falar no comitê durante o MINIONU. De modo geral, salvo os comitês que forem regidos por regras específicas, a mesa manterá uma Lista de Oradores para aqueles que desejem proferir discursos formais. Haverá a possibilidade de debates informais. No entanto, recomenda-se que, mesmo nessas situações, se mantenham os princípios da fala em público.

Muitos delegados temem falar em frente a grandes grupos. A melhor forma de lidar com tais situações é fazer uma boa preparação. Portanto, os delegados devem pesquisar de modo exaustivo sobre a posição dos países e acerca dos pontos que desejam incluir em uma resolução. Em uma palavra, se o delegado vem bem preparado para seu comitê, ele terá disposição na fala e transmitirá confiança aos seus pares.

COMO FAZER UM DISCURSO DE ABERTURA

  • Primeiro, agradeça a presidência da mesa dizendo “Obrigado Sr./Sra./ Presidente…”
  • Faça um breve histórico sobre o assunto e sua relação com o país representado.
  • Elabore sobre os efeitos atuais que o tema causa em seu país.
  • Forneça a posição de seu país sobre o tema. Agregue uma justificativa de tal posição levando em conta a economia, política, religião, etc. de seu país.
  • O delegado poderá explicar como a posição de seu país se relaciona com a de outros membros, com as grandes potencies, blocos regionais, etc.
  • Aponte ações já tomadas pela ONU.
  • Apresente idéias para resolução, reforçando os objetivos de seu país para em tal resolução.
  • Indique aos membros do comitê se seu país está disposto a negociar.

COMO FALAR DURANTE O DEBATE

  • Novamente, agradeça a presidência da mesa.
  • Encoraje a colaboração entre os membros do comitê com proposições construtivas.
  • Ao se referir as falas de outros delgados, você pode indicar apoio ou recusa de determinadas posições.
  • Apresente idéias para a constituição de resoluções ou recomendações.
  • Explique o porquê de seu país apoiar ou não determinada proposta de resolução.

ALGUMAS DICAS

Preparação: Decida como você se sente mais confortável ao falar. Você pode usar seu DPO como discurso de abertura ou relacionar alguns tópicos fundamentais. Com o tempo, você se sentirá mais confortável para falar sem o auxílio das notas ou textos de apoio. Se pretender usar sentenças ou palavras que não lhe são familiar, confirme a pronúncia e o significado antes de proferi-las.

Pratique: Ensaiar o discurso é a melhor forma de aprimorar sua habilidade de falar em público. Tente faze-lo junto a um professor, amigo ou colega de simulação. Quando ouvir um discurso, critique-o de modo construtivo. Se receber críticas, use-as como ferramenta para aprimorar sua habilidade.

Leve em conta seu público: Faça seu discurso de modo apropriado a idade e experiência da audiência. Lembre-se que o início do discurso deve captar a atenção dos ouvintes e fazer com que eles queiram ouvir mais.

Elimine palavras desnecessárias: Palavras como “é..”, “ok”, “né”, “então”, dentre outras, podem distrair a audiência e desvia-los do real objetivo.

Use pausas em seu discurso: Momentos de silêncio entre sentenças podem ser uma ferramenta importante. Pausar após uma sentença é importante ou antes de responder uma questão ajuda a manter a atenção da plateia. Ainda, uma pausa pode lhe propiciar tempo para formular sua próxima sentença.

Respiração: Tente respirar usando seu diafragma. Se você respire corretamente, verá o movimento de seu abdômen a cada respiração. Tente inspirar e expirar completamente

Mantenha o Ritmo: Não fale muito rápido, nem muito devagar. Lembre-se de não cair na comum tentação de falar em ritmo muito acelerado.

Escolha uma postura correta: Cuide para que você não assuma uma postura que desvie ou desvirtue a atenção da plateia. Mantenha a postura ereta, relaxe os ombros, pise firmemente e mantenha os joelhos levemente separados, isso irá ajudar a comunicar segurança.

Projete sua presença: Falar em tom médio e baixo pode ajudar a projetar autoridade, mas certifique-se de que você está sendo ouvido. Concentre-se na fala com entusiasmo e energia.

Gestos: Você pode tirar vantagem de gestos e expressões feitas com seu rosto, mãos, braços e corpo. No entanto, preste atenção para não exagerar e distrair o público.

Comunique com seu público: Procure não ler suas anotações, apenas faça rápidas conferências para ajudar a manter a linha de pensamento. Deste modo, você poderá manter contato visual direto com as pessoas de sua platéia.

Não tergiverse: Fale de modo conciso de modo que a platéia não perca os argumentos principais em favor de detalhes sem importância. Tente não falar ‘em círculos’, vá direto ao ponto mais importante.

Seja Positivo: Ao invés de criticar negativamente outro ponto de vista, faça considerações construtivas, propondo alternativas.

Equipe ACNUR (2020)

Fonte: <http://csnu13minionu.wordpress.com/2012/09/23/regras-de-debate-como-agir-ao-longo-da-simulacao/>. Acesso em: 16 set. 2013.